O Casamento Típico volta a fazer parte da programação da Festa Pomerana. Em 2010, durante a festa mais alemã do Brasil, casam-se Márcio e Jussara.
Será no dia 23 de janeiro, às 9h30, na Igreja da Paz - Comunidade Evangélica de Confissão Luterana (Rua 15 de novembro, Centro). Após a cerimônia religiosa, a recepção acontecerá no Parque Municipal de Eventos.
Os noivos disponibilizaram um blog para quem quiser acompanhar sua história.
Acesse www.casamentopomerano.blogspot.com.
Tradição:
Pela antiga tradição da cidade de Pomerode a comemoração de um casamento é um fato muito importante para as famílias envolvidas. A celebração acontecia em várias etapas e agregava toda a comunidade.
Após o pedido formal do noivo ao futuro sogro, um dos testemunhas homens desempenhava o papel de Hochzeitsbitter que tinha a tarefa de convidar todos os parentes, amigos e vizinhos para o casório. O Hochzeitsbitter fazia os convites a cavalo, cuja sela e arreios eram enfeitados com flores naturais, laços e fitas nas cores verde, amarelo, azul e vermelho. Seu paletó e o seu chapéu também eram enfeitados com flores, laços e fitas. Ele visitava todas as residências e aos seus moradores declamava o convite de casamento em forma de poesia, em alemão. Com o passar dos anos o Hochzeitsbitter substituiu o cavalo pela bicicleta e o anúncio do convite pelo convite escrito à mão, em alemão. Hoje em dia esta tradição não existe mais em Pomerode.
A solenidade de casamento acontecia nas manhãs de quarta-feira. Cerca de dois dias antes do casamento, à noite, acontecia o Polterabend, também conhecido por Noite de Quebra-Cacos. Tratava-se de uma festa ruidosa promovida pelas testemunhas e todos que estavam ajudando nos preparativos da festa. Cada pessoa ou grupo de pessoas que vinha participar deste jantar especial trazia louças de porcelana (inteiras, lascadas ou em parte danificadas) embrulhadas em grandes pacotes. Ao entrar na sala os visitantes procuravam pelos noivos e diante deles declamavam uma poesia em alemão e, ao estender o presente aos noivos, o convidado deixava o pacote cair e, ao som do quebrar das porcelanas, desejava-se boa sorte ao novo casal dizendo: – “Scherben bringen Glück” – “cacos de porcelana trazem sorte.” Os noivos deveriam varrer e ajuntar todos os cacos para garantir um bom casamento.
Após a comemoração do Polterabend, os trabalhos prosseguiam em casa para a preparação dos alimentos, e no início da tarde, apenas os noivos e as testemunhas seguiam para Blumenau. Na manhã seguinte, participavam dos atos civil e religioso do casamento. Após a oficialização, que também envolvia alguns rituais muito interessantes,os noivos voltavam para casa para receber as felicitações. Em seguida um farto almoço era servido.
Lavada a louça do almoço, acontecia o Küchenmarsch, a Marcha da Cozinha. Formava-se um cortejo que saía da cozinha, dava uma volta pelos arredores da casa e retornavam até a cozinha, onde se realizava a dança. Os músicos tocavam música alegre e as cozinheiras e assadores dançavam agitando no ar espetos com carne, pás de forno, assadeiras, bules, panelas, entre outros. O Küchenmarsch é um costume que ainda persiste nas comunidades do interior de Pomerode.
Só então era iniciado o baile, com a tradicional valsa dos noivos. Seguia-se então, muita dança e alegria, com pausa para o café da tarde e jantar. O baile continuava noite adentro e na cozinha ainda era servido um café para os convidados, que podiam servir-se à vontade.
Por volta da meia-noite antes de ser realizada a retirada da coroa e da grinalda da noiva - der Kranz wurde abgetantzt, os noivos dançavam uma valsa – Ehrenrunde. A noiva sentava-se em uma cadeira e o noivo deveria soltar e retirar da cabeça da esposa a coroa de flores, que era providenciada com antecedência por um dos padrinhos de batismo da noiva ou do noivo. A coroa de flores da noiva e a flor da lapela do noivo eram colocados numa caixa – Hochzeitskiste – especialmente confeccionada pelo padrinho de batismo da noiva. Cada um dos nubentes acrescentava o seu segredo e o padrinho selava a caixa com uma tampa de vidro, entregando-a aos noivos, desejando-lhes muitas felicidades e lembrando a eles das responsabilidades que um tinha para com o outro. Esta caixa tinha um forte significado para os nubentes: era a bênção que um padrinho de batismo lhes concedia para um casamento duradouro. A caixa era colocada na sala da casa dos noivos, em lugar de destaque. Somente quando um dos esposos falecia a caixa poderia ser aberta e os segredos desvendados.
Após os noivos terem cumprido este ritual, retiravam-se da festa para trocar de roupa e retornavam para festejar até o dia raiar.